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ORIGEM DAS DANÇAS SAGRADAS

Origem das Danças Sagradas

Conta-se que durante a sua vida na Índia, o Buda Shakyamuni, de modo a acelerar o progresso na via para a iluminação de alguns dos seus discípulos, invulgarmente dotados, transmitiu-lhes os ensinamentos dos tantras. Manifestou-se então na forma das divindades que lhes são associadas –Kalachakra, Guyasamaj e outras. Nessas ocasiões, o Buda apareceu também na forma de divindades iradas, cujo aspecto feroz simboliza a força indomável da compaixão. Estas divindades dançaram de inúmeras e majestosas maneiras, todas elas exprimindo as multi-facetadas actividades do Buda em benefício dos seres.Foi assim que se instaurou a tradição das danças sagradas durante os festins rituais chamados «ganachakras».

Estas danças, que se faziam durante assembleias iniciáticas, eram espontaneamente realizadas sem inibições ou hesitações. Como é dito no Kalachakratantra (O Tantra da Roda do Tempo): «... movimentos divinos, destemidos, inimagináveis e libertos de esforço, surgirão da esfera do espírito – movimentos desconhecidos de danças e cantos até aí nunca ouvidos.»

Esta tradição foi fielmente preservada até hoje graças a uma transmissão ininterrupta de mestre a discípulo – transmissão essa que foi continuamente enriquecida e vivificada por uma torrente de inspiração visionária que desde sempre foi uma fonte fértil de renovação e vitalidade

Os Monges e a Dança

A maioria dos dançarinos do mosteiro de Shechen tem entre 16 e 25 anos. Tendo por vezes entrado para o mosteiro às vezes ainda crianças, foram educados e treinados nas práticas e artes da tradição Tibetana.

A primeira visita que fizeram ao Ocidente foi em Outubro de 1995, numa viagem à França, Suíça e Bélgica. Tendo voltado em 1996, para o Festival Musik der Welt em Basel e também para uma visita à Alemanha, estão agora familiarizados com o palco e com o público ocidental. Talvez seja o facto de serem ao mesmo tempo monges e dançarinos – por muito estranho que esta combinação possa parecer à primeira vista – que lhes permite actuarem com um à-vontade e uma generosidade que deixa sempre no público uma sensação de frescura e a impressão de estarem a partilhar algo de profundamente significativo.

A beleza da performance, as suas cores, sons, máscaras, vestes e símbolos – realçados pelo jogo de luzes – a vastidão, a profundidade, bem como a actualidade desta tradição imemorial, tudo contribui para o extraordinário sucesso destas danças.

Actuando frequentemente perante salas repletas, os dançarinos atraíram um público muito variado, entusiastas da arte, da dança tradicional e moderna, apreciadores da cultura e da novidade e todos os que simpatizam com a causa da civilização tibetana.

A companhia é seguida por Matthieu Ricard, monge Budista e tradutor oficial para a língua Francesa de Sua Santidade o Dalai Lama. Com a sua breve introdução e comentários, este eminente fotógrafo e viajante da região dos Himalaias, acrescenta ao interesse e qualidade do espectáculo, a descrição do rico simbolismo das danças, permitindo assim à audiência penetrar o seu profundo significado.